segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Felipão calando os críticos. Eu, inclusive.


Fui contra a contratação de Luiz Felipe Scolari para treinar o Grêmio. Não gostei do trabalho dele na Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo. Insistiu demais em Fred, teve postura inadequada e teimosa diante da Alemanha, além de equívocos na convocação e montagem de grupo, entre outros erros. Ele foi responsável pela derrota vexatória, isso é inegável. Devido a isso e trabalhos recentes que não me agradaram, não acreditava que Felipão fosse capaz de se reinventar, de ter a humildade para rever conceitos e focar no trabalho. Felizmente me enganei!

O jornalista que acompanha os seus clubes locais torce para que haja evolução, conquistas, bons trabalhos e possa, portanto, cobrir grandes eventos, representar seu veículo de comunicação nas principais competições mundo afora. Eu, pelo menos, penso assim. Quando dei a opinião contra Felipão, estava pensando no melhor para o clube, que precisa se reerguer e encerrar esse jejum de títulos. Após o anúncio, concordei que a relação do técnico multi-campeão com o tricolor gaúcho poderia fazer bem a todos. Ao time e ao treinador, abatido pela forte pressão naquele momento.

Torci para estar errado e o que estou vendo é um trabalho brilhante de Luiz Felipe, digno de aplausos. Ciente das limitações da equipe, ele ajustou o sistema defensivo, invicto há mais de 800 minutos. Méritos também para o melhor goleiro do Brasil, Marcelo Grohe, mas Felipão tem achados individuais, como Zé Roberto na lateral-esquerda, Felipe Bastos no meio e a recuperação de Barcos como a referência do time, a exemplo do que fazia com o Pirata no Palmeiras. O aproveitamento do técnico desde que chegou a Porto Alegre é de 66% no Brasileiro, abaixo apenas do Cruzeiro.

O Grêmio não tem um articulador, mas tem articulação. Começou jogando por uma bola. Hoje, é o 3º time que mais finaliza no Campeonato, atrás apenas de Cruzeiro e Inter. Sofre com um banco mais qualificado, é verdade, mas até por isso, deve-se valorizar o trabalho na casamata. O Grêmio está fora do G4, mas tem pontuação de 3º colocado. Está na briga por algo grande no Brasileiro.

Tem coisas que não se misturam no futebol, mas não é esse o caso. Definitivamente Felipão e o Grêmio nasceram um para o outro.

Inter briga pelo título, sim!


Faltando 13 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, o Internacional finalmente entrou na disputa pelo título. Está na 2ª colocação, há 6 pontos do líder Cruzeiro e ainda tem um confronto direto contra os mineiros na próxima rodada. Ou seja, a distância poderá ficar em míseros 3 pontos. Mas embora importantes, não vou me ater apenas aos números nesse momento.

Não é novidade que o nosso Brasileirão de pontos corridos é longo e necessita, portanto, de equipes regulares e com grupos qualificados para alcançar a taça. Cruzeiro tem isso. São Paulo e Inter também. Mas uma sequência positiva depende de muitos fatores. Ainda sofremos com desequilíbrio técnico por convocações de nossos principais jogadores, além de suspensões, lesões e qualidade dos atletas, que pode oscilar durante a disputa.

O fantástico Cruzeiro está em declínio. Nos últimos 5 jogos, perdeu para o São Paulo, ganhou do Atlético PR, perdeu o clássico com o Atlético MG, ganhou do Coritiba (auxiliado pela arbitragem) e empatou com o Sport. A “gordura” adquirida ao longo de tantas rodadas, com um futebol exuberante, permitiu a manutenção da equipe mineira na ponta da tabela, mas serve de alerta para o que vem pela frente. Ao mesmo tempo, São Paulo também vive uma instabilidade, com o seu quarteto fantástico questionado. O Corinthians parece ter abdicado da disputa com péssimos resultados. Nesse período, o Inter aproveitou a chance.

Depois de fortes cobranças do torcedor na derrota em casa para o Figueirense e uma sequência ruim no Beira-Rio, com eliminações nas Copas do Brasil e Sul-americana, Abel Braga recuperou o time. Venceu o Botafogo na abertura do returno, empatou com o Sport no Recife e emendou 3 vitórias seguidas: Atlético PR, Criciúma e Coritiba. Mais do que isso, devolveu Aránguiz para a sua posição ideal (2º homem) e descobriu o garoto Eduardo Sasha. Faltava um jogador que desse velocidade ao time, que facilitasse a transição de bola do meio-campo tão qualificado para o ataque. Wellington deu consistência, Alex e D'alessandro o toque refinado. O Inter está crescendo e na hora certa.

Logicamente o Inter pode perder para o Cruzeiro, que jogará em casa num Mineirão lotado, e ver a distância aumentar para 9 pontos, mas é inegável - diante da chance do confronto direto - que o colorado está na disputa do título Brasileiro.

Jogo de 6 pontos, final antecipada, como queiram. Sábado será uma verdadeira decisão.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Como confiar no STJD?


O Grêmio não está mais excluído da Copa do Brasil. Está “apenas” eliminado. No julgamento do recurso no pleno do Superior tribunal de justiça desportiva, os auditores decidiram por 7 votos a 0, pela perda de pontos da partida contra o Santos. Como o Grêmio perdeu o jogo, ficou com -3 pontos, enquanto que o Santos,+3. Ou seja, numa eventual vitória por 10 a 0 para o Grêmio no jogo de volta, o tricolor ficaria com 0 pontos e o Santos permaneceria com 3. Portanto, a decisão ocasionou na consequente eliminação do clube da competição.

No primeiro julgamento, os auditores explicaram que a exclusão ocorreu porque a Copa do Brasil é uma competição eliminatória, ou seja, seria impossível retirar pontos da equipe. Mesmo sendo uma competição mata-mata, a Copa do Brasil tem em seu regulamento que “a equipe que somar mais pontos, avança”. Desconhecimento ou pré-disposição?

Muitos questionam que o Grêmio perdeu dentro de campo, pois se tivesse vencido o jogo, o Grêmio perderia os pontos, voltaria para zero e poderia reverter no jogo da volta. Ledo engano. Se o Grêmio tivesse obtido uma vitória, a exclusão seria mantida. Só houve essa decisão de retirar os pontos para eliminar o clube e tentar livrar a pele do próprio tribunal numa jurisprudência perigosa. Se a punição inicial fosse mantida, o tribunal promoveria exclusões toda a semana, pois infelizmente os atos racistas não irão cessar. Quem pratica o ato racista é a pessoa e não o clube. A instituição deve evitar, punir e tomar suas medidas. O Grêmio fez tudo isso e nada adiantou. Pagou por um crime que não cometeu.

O prejuízo já está feito. Não há como reverter as manchetes mundiais que carimbaram o clube gaúcho como racista, ou excluir a declaração do Presidente da FIFA, Joseph Blatter, apoiando a punição, mesmo que tenha ignorado outros episódios mundo afora. Infelizmente estamos nas mãos de um tribunal descriterioso, midiático, que promove julgamentos políticos e não técnicos.

O combate ao racismo deve continuar, mas gostaria de ver a minúcia com que foi tratado esse caso aparecendo mais vezes. Casos de injúria racial tem praticamente em cada rodada, em todos os Estados. Sem falar na homofobia e na violência protagonizada por torcidas, como nos últimos clássicos mineiro e paulista.

É difícil ter que confiar na justiça, quando ela não é justa.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Festival de intolerâncias


Estamos vivendo tempos complicados. O novo episódio envolvendo o goleiro Aranha e a torcida do Grêmio deflagrou uma onda de ódio e posições ferrenhas de parte a parte.

Há quem condene o goleiro por ter se sentido ofendido. Culpado por ter denunciado, ter reclamado que estava sofrendo com as claras injúrias raciais naquele 28 de agosto. Por outro lado, os gremistas estão carregando uma imagem racista, de um clube preconceituoso, assim como todo o povo gaúcho.

Tenho visto um festival de intolerâncias, uma incapacidade do ser humano em entender o outro, ausência total de compreensão, da liberdade do próximo, em todos os sentidos. Posso ser contraditório, mas, em meio à posições tão antagônicas, consegui não concordar com nada e fiquei decepcionado com todas as atitudes que vi. Saí da Arena do Grêmio triste, chateado mesmo.


Foi um jogo pesado, carregado, tenso. Um ambiente belicoso. Não culpo o torcedor pela vaia. Foram desproporcionais, é verdade, mas como esperar uma reação diferente de uma torcida que teve o seu clube excluído de uma competição pela primeira vez na história, por conta de meia dúzia de infelizes? Aranha não foi o culpado disso. Foi o pivô da punição, mas não o responsável, embora personagem dela. É complexo. Aranha fez o que tinha que fazer, mas ao taxar o clube todo de racista, provocou a revolta de um torcedor que se sentiu injustiçado, exatamente por não concordar com os atos racistas.

Aranha é vítima inegável do processo, mas não precisava se dirigir aos torcedores tricolores como “essa gente”. Foi corajoso ao encarar o estádio em apupos, jogar com frieza e ainda garantir o empate para o seu time. Ele não precisava ser tolerante, não se espera serenidade de quem se sente ultrajado. Não posso julgar alguém por algo que nunca passei. Mas penso que ele poderia ter a grandeza de entender que estava ali como adversário. A torcida o considera um algoz, mesmo que entenda o seu lado. A vaia é uma atitude democrática, existe para demonstrar inconformidade com alguma coisa, para desestabilizar o rival. Pode não ter sido esse o motivo de alguns, mas quero imaginar que tenha sido da maioria.

Aranha falou que esperava encontrar Patrícia Moreira, mas antes havia dito que não pretendia encontrá-la. Ele mesmo entendeu que a menina flagrada o chamando de macaco não quis cometer um crime. Errou como tantos outros, mas que não tiveram o linchamento virtual ou apedrejamento real que ela sofreu.



Estamos discutindo há dias o caso Patrícia/Aranha, como se fosse o único da face da Terra. Como se o racismo existisse apenas no Grêmio ou no Rio Grande do Sul. É um problema mundial, simplesmente porque é um problema da sociedade, do ser humano. O racismo é uma vertente do egoísmo imbecil, da mania de olharmos para nós mesmos, de nos preocuparmos com questões pequenas e que vão além da cor da pele. A discriminação está presente de várias maneiras e não vamos resolver o problema do mundo culpando Aranha, prendendo a Patrícia ou banindo pra sempre um clube do futebol. Temos que continuar lutando, mas o problema é macro. Estamos no micro.

Entre brancos e negros, o problema parece ser da raça humana.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Nilmar de volta pra casa!


A novela terminou com final feliz para os colorados. Nilmar assinou contrato por 3 temporadas com o Internacional e está de volta. Será a sua terceira passagem pelo clube que o formou e o projetou para o futebol. O anúncio oficial no site do clube ocorreu na tarde desta terça-feira. 

De menino franzino à um rápido e eficiente atacante, Nilmar possui características raras no atual futebol de força e velocidade. Parece frágil, mas não é. Nem as lesões no joelho o impediram de se tornar um belíssimo jogador, de movimentação, mas que centraliza. De área, mas que também parte de fora dela em direção ao gol adversário. Arruma qualquer ataque, resolve qualquer problema ofensivo.

Nilmar poderia estar no graduado mercado Europeu, num time de ponta, mas ele e seu empresário preferiram os petrodólares do Mundo Árabe. Nenhum problema, mas a carreira em alto nível foi abreviada. Inclusive suas chances na seleção brasileira. Agora, aos 30 anos, mesmo com propostas do Cruzeiro no Brasil e com a possibilidade da Roma na Itália, o acerto foi com o clube do coração.

Resta saber a condição física de Nilmar, que vem de um futebol onde há um déficit nessa questão e muitos jogadores retornam abaixo do esperado, vide Alex no mesmo Inter, que demorou um ano para voltar à sua melhor forma. Naturalmente, a ineficiência dos atacantes colorados, Rafael Moura e Wellington Paulista, trazem esperança de dias melhores. Mesmo que Nilmar tenha dificuldades este ano, dá para dizer que desembarcou o primeiro reforço para 2015. A contratação também traz reflexos na eleição presidencial do clube. A situação - sem títulos expressivos e contestada pela torcida nos últimos jogos - acaba de ganhar muitos pontos com o associado.


Os valores informados agora correspondem à números bem menores do que antes especulados e, mesmo que custasse muito, o custo benefício só poderia ser avaliado com o tempo. Antes da chegada, é uma negociação incontestável. Nilmar sempre vale o que ganha.

Chegou o jogador que faltava para o Inter.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Grêmio, 111 anos de história!


O torcedor Gremista tem o que comemorar, sim. Se o momento não é o ideal, se um título importante não vem há algum tempo, o clube tem mais de um século de conquistas para se orgulhar.

O Grêmio Campeão do Mundo, da América, tetra da Copa do Brasil, bi do Brasileiro e tantas vezes campeão gaúcho. Grêmio de Renato, Alcindo, Gessy e Zé Roberto. De Everaldo, Jardel, Paulo Nunes e Baltazar. Danrlei, De León e Hélio Dourado. De Espinosa, Ênio Andrade e Felipão. Tantos passaram, muitos marcaram e aumentaram cada vez mais a paixão de ser tricolor. 

Um Grêmio de todas as cores.

Nesse período complicado, da ausência de troféus, de problemas com a justiça, é na história que o Grêmio deve buscar a sua essência vitoriosa. É na própria tradição de se superar que o Grêmio voltará a ser eterno imortal tricolor.

Parabéns, Grêmio! Há muito para celebrar, especialmente pelo fato de ser torcedor de um clube aguerrido, determinado e que jamais se entrega. Pelo simples fato de ser Gremista.

#Grêmio111anos

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Abel tem que ficar!



O que aconteceu com o time do Inter? Não existe uma resposta apenas. Abel Braga é responsável? É! Mas não o único.

O treinador colorado cometeu algumas decisões equivocadas ao longo da temporada e que estão culminando não apenas nos resultados negativos, mas também no fraco desempenho.

Depois da derrota em casa para o Figueirense e para o Vitória, na Bahia, aumentou a pressão sobre o comando técnico colorado. Mas é importante recuperar algumas situações.

Abel montou um esquema interessante com um meio campo extremamente efetivo: Willians, Aránguiz , Alex, D’alessandro e Alan Patrick. O chileno vivia uma fase excepcional, era o fator surpresa do time, dava assistências e fazia gols. Alex cresceu. D’alessandro dividiu o protagonismo e até o contestado Rafael Moura fazia gols. De repente, veio a Copa do Mundo e esse time não jogou mais.

Aránguiz voltou do Mundial lesionado. A direção trouxe Wellington, que até entrou bem, mas descaracterizou o sistema antes montado com o revezamento entre o chileno e Alex, recompondo e chegando à frente. Willians caiu de produção, Rafael Moura começou a “passar fome” no ataque. Abel testou Valdívia e tirou Valdívia. Testou Sasha e tirou Saha. Não houve convicção sobre a escalação e o técnico não mais se encontrou.

Questiono muito a qualidade do grupo colorado, especialmente vendo Cruzeiro e São Paulo jogar. O Inter tem bons jogadores, mas para formar um time. Na ausência de algumas peças, a equipe enfraquece muito. Falta um jogador de velocidade. O argentino Martín Luque chegou no meio da temporada e está lesionado. A direção resolveu emprestar o atacante Caio, para o Vitória. Tentou Fred, Taison e outros jogadores do leste Europeu. Não conseguiu. O sonho agora é Nilmar.

O clube teve uma estratégia arriscada em priorizar um brasileiro extremamente competitivo, sem o grupo adequado de jogadores. Com isso, subestimou adversários como o Ceará e o Bahia nas Copas do Brasil e Sul-americana. Perdeu dentro de campo, mas também porque o interesse era mínimo. Preservou jogadores e o rendimento caiu, fato repetido no Brasileiro. Jovens não foram testados e as cobranças explodiram.

Penso que Abel já teve um time ideal. Muitas vezes não conseguiu repeti-lo por circunstâncias específicas. Outras vezes por querer escalar Wellington ou Jorge Henrique e mudar a concepção inicial. Abel se perdeu, mas acho que pode se reencontrar.

Mudar agora, faltando 18 rodadas por um técnico tampão? Trazer um figurão que vai iniciar um trabalho projetando 2015, podendo se desgastar até o final do ano? Acho loucura. O que precisa é uma intervenção da diretoria para verificar a situação de atletas descontados, remontar o sistema que deu certo e começar a escalar mais os jovens, descartados nesse momento.

Se o título ficou distante, ainda tem muito campeonato pela frente. O necessário agora é vencer e bem o Botafogo em casa. A partir daí, veremos o que acontece.